Greve dos professores federais: o que está acontecendo
O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) deflagrou greve nacional dos professores das universidades federais em maio de 2026. A paralisação afeta dezenas de instituições em todo o país e coloca em risco o calendário acadêmico do primeiro semestre.
A greve foi aprovada em assembleia nacional com mais de 70% dos votos favoráveis, após o fracasso das negociações com o Ministério da Educação (MEC) sobre reajuste salarial e condições de trabalho.
Quais universidades aderiram à greve
Segundo o Andes-SN, mais de 60 universidades federais aderiram à paralisação, com índices variados de adesão. As principais instituições com paralisação total ou parcial incluem:
- USP — adesão parcial (professores de alguns departamentos)
- UFRJ — paralisação total declarada
- UFMG — paralisação total
- UnB — paralisação total
- UFBA — paralisação total
- UFRGS — adesão parcial
- UFC — paralisação total
- UFPE — paralisação total
- UFPR — adesão parcial
- UFSC — paralisação total
O nível de adesão varia por departamento e campus. Consulte o site ou a associação docente da sua universidade para informações específicas.
As demandas do Andes-SN
O sindicato apresentou uma pauta com três eixos principais:
1. Reajuste salarial
Os professores reivindicam reajuste de 22,7% para recomposição das perdas inflacionárias acumuladas desde o último reajuste, em 2023. O governo ofereceu 9% parcelados em dois anos — proposta rejeitada pela categoria.
2. Reestruturação da carreira
O Andes exige revisão do plano de carreira docente, com criação de novas faixas de progressão e equiparação com outras carreiras do serviço público federal de nível equivalente.
3. Condições de trabalho e infraestrutura
A pauta inclui também demandas por reposição de vagas docentes (o número de professores efetivos caiu 12% nos últimos cinco anos), melhoria de laboratórios e bibliotecas, e contratação de técnicos administrativos.
A posição do MEC
O Ministério da Educação reconhece a defasagem salarial, mas alega restrições fiscais impostas pelo arcabouço fiscal. Em nota, o MEC afirmou que:
- A proposta de 9% já representa o limite do espaço fiscal disponível para 2026
- Está aberto ao diálogo e convocou nova rodada de negociações para a semana de 27 de maio
- Não reconhece a greve como legal enquanto houver mesa de negociação ativa
O ministro declarou que espera retomada das aulas em até duas semanas, mas o Andes rejeitou a proposta e manteve a greve.
Histórico de negociações
Esta é a terceira greve dos professores federais em seis anos. As paralisações anteriores, em 2021 e 2023, duraram respectivamente 47 e 32 dias. Em ambos os casos, o acordo final ficou abaixo das demandas iniciais da categoria, o que alimenta a desconfiança dos docentes nas negociações atuais.
Impacto no calendário acadêmico
Com a greve em curso, o primeiro semestre de 2026 está ameaçado. Os principais impactos são:
- Suspensão de aulas presenciais nas unidades com paralisação total
- Cancelamento de provas e avaliações agendadas para maio e junho
- Risco de extensão do semestre para julho ou agosto, caso a greve se prolongue
- Impacto em estágios e TCCs com bancas e orientações suspensas
- Programas de pós-graduação com defesas de dissertações e teses adiadas
Cada universidade tem autonomia para definir como compensar os dias parados. O mais comum é a extensão do calendário ou a reposição em período de recesso.
O que os estudantes devem fazer
Acompanhe os canais oficiais da sua universidade
Cada instituição comunica as decisões pelo site oficial, redes sociais e sistemas de e-mail acadêmico. Fique atento a comunicados sobre suspensão e retomada de atividades.
Guarde comprovantes de matrícula e histórico
Em caso de impacto em bolsas, estágios ou contratos que exijam comprovação de vínculo ativo, tenha em mãos documentos atualizados da secretaria acadêmica.
Verifique seus direitos
Estudantes com bolsas CAPES, CNPq ou FAPESP devem consultar as agências sobre possíveis prorrogações de prazo em função da greve. Historicamente, as agências têm sido flexíveis nesses casos.
Intercambistas e estudantes internacionais
Procure a assessoria de relações internacionais da sua universidade para orientações específicas sobre vistos e prazos de permanência que possam ser afetados.
Formandos do primeiro semestre
Se você estava previsto para se formar em julho de 2026, entre em contato com a coordenação do curso para entender o impacto no prazo de colação de grau e emissão de diploma.
Próximos passos
O Andes-SN e o MEC têm nova rodada de negociações marcada para 27 de maio de 2026. O resultado dessa reunião deve definir se a greve se estende ou se há perspectiva de acordo. O Notícias Radar acompanha e atualiza esta matéria conforme os desdobramentos.
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